A oposição no Senado decidiu suspender a divulgação dos votos já declarados para a presidência da Casa. A medida, tomada na noite de quinta-feira, 5, ocorreu devido ao receio de retaliações do Supremo Tribunal Federal (STF) contra parlamentares que anunciem apoio a candidatos contrários aos interesses do governo.
Faltam quase três meses para a eleição que definirá o próximo presidente do Senado, marcada para 1º de fevereiro de 2027, mas a disputa já movimenta os bastidores em Brasília. Três nomes disputam o comando da Casa: o atual presidente, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS).
Nos últimos dias, veículos de comunicação, plataformas independentes e parlamentares passaram a divulgar contagens próprias de votos. A oposição, no entanto, optou por preservar a identidade dos senadores que já teriam declarado apoio a seus candidatos.
Disputa pelo Centrão e pressão nos bastidores
Até o momento, nenhum dos grupos possui maioria consolidada para garantir a vitória, o que torna a disputa pelos votos do centrão decisiva. Segundo parlamentares da oposição, a movimentação para atrair esses senadores combina ofertas e ameaças.
De um lado, o cenário envolve a oferta de gabinetes privilegiados, vagas de garagem bem localizadas, cargos e presidências de comissões. De outro, prevalece o receio de represálias do STF caso os parlamentares tornem público o apoio a uma candidatura contrária aos interesses governamentais.
Um senador da oposição relatou à Oeste: “O governo deu cerca de 40 cargos em autarquias para Alcolumbre distribuir em troca de votos”. E acrescentou: “Mas o ponto principal é que, se divulgarmos os nomes de todos que já fecharam conosco, estamos colocando um alvo nas costas desses parlamentares. Muitos estão com medo de retaliações por parte do STF.”
Com a suspensão das contagens independentes, a previsão é que os levantamentos voltem a ser publicados apenas nas semanas anteriores ao pleito agendado para 1º de fevereiro de 2027.

























