Hugo Motta (Republicanos-PB) se torna o primeiro presidente da Câmara dos Deputados a não permitir a instalação de nenhuma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) desde 1999. A informação surgiu em meio a pedidos com o número necessário de assinaturas, incluindo investigações sobre a chamada “Farra do INSS” e o Banco Master, que seguem sem deliberação.
Durante a gestão de Motta, vários pedidos de CPI alcançaram as 171 assinaturas exigidas, mas não foram discutidos. O presidente alegou que a ordem cronológica de apresentação dos pedidos deveria ser respeitada, no entanto, não deliberou sobre nenhuma solicitação, independentemente da data de apresentação.
Os registros da Câmara mostram que, desde 1999, todos os presidentes anteriores permitiram a instalação de CPIs. Durante a presidência de Arthur Lira, entre 2021 e 2025, houve investigações sobre o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e o escândalo financeiro das Lojas Americanas, assim como outras comissões relevantes. Rodrigo Maia, que presidiu entre 2016 e 2021, também aprovou CPIs sobre casos como o da JBS e a tragédia de Brumadinho (MG). Até Eduardo Cunha (MDB-RJ), que esteve no cargo entre 2015 e 2016, permitiu a realização de comissões de inquérito.
Em março deste ano, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, negou um pedido do deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), que buscava forçar Motta a instalar a CPI do Banco Master. Rollemberg argumentou que o presidente estava agindo de forma omissa, já que o pedido contava com 201 assinaturas. Zanin, no entanto, considerou que a decisão sobre a instalação de CPIs cabe à própria Câmara, não ao Supremo.

























