A Polícia Federal concluiu que a não observância de procedimentos de segurança por parte da tripulação foi determinante para a queda do avião da Voepass, ocorrida em agosto de 2024. A investigação aponta que falhas operacionais e o descumprimento de alertas do sistema de degelo permitiram que a aeronave voasse em condições inadequadas, abrindo caminho para indiciamentos criminais sobre a tragédia que matou 62 pessoas.
O relatório do inquérito policial reúne transcrições do gravador de voz do turboélice ATR 72-500 que realizava o voo 2283. O material indica que a tripulação já enfrentava problemas com o acionamento de avisos de falha no sistema pneumático de degelo antes do acidente. Em trechos registrados pela caixa-preta, os pilotos chegaram a fazer piadas sobre o mau funcionamento do equipamento e deixaram de reportar oficialmente as inconsistências às equipes de manutenção.
Conforme a apuração da PF, o descumprimento contínuo das rotinas previstas pela fabricante e pelas diretrizes da Agência Nacional de Aviação Civil fez com que erros repetitivos no sistema de degelo continuassem sem o devido reparo. No dia da queda, ao enfrentar uma zona de forte formação de gelo, a aeronave operou com limitações no equipamento. Além disso, o inquérito identificou que o alarme de baixa velocidade soou 20 segundos antes de o avião entrar em estol, sem que os pilotos adotassem as manobras recomendadas para contornar a emergência.
Com a finalização das apurações, a corporação informou que formalizará indiciamentos contra os responsáveis. A responsabilização criminal por acidentes aéreos é uma medida rara na aviação civil brasileira, tendo ocorrido anteriormente apenas no caso da colisão entre o jato Legacy e o Boeing da Gol, em 2006. As conclusões do inquérito policial têm como objetivo subsidiar eventuais ações judiciais no âmbito penal, ao contrário das análises do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, voltadas exclusivamente para a prevenção de novas ocorrências.























