A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou a Operação Metástase para desmantelar uma organização criminosa envolvida no roubo, fracionamento e redistribuição de medicamentos oncológicos e para doenças autoimunes. Com o auxílio da facção Terceiro Comando Puro (TCP), o grupo movimentou mais de R$ 33 milhões em um ano ao adulterar o fornecimento regular e reintroduzir os produtos roubados na rede pública de saúde de diversos estados.
Durante a ação ostensiva, os investigadores cumpriram mandados de prisão e de busca e apreensão no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro, além de municípios em São Paulo, Goiás e Pará. Quatro integrantes da organização foram detidos nas primeiras horas da operação. A Justiça também determinou o congelamento de R$ 30 milhões em contas bancárias e a apreensão de bens, incluindo veículos de luxo e propriedades imobiliárias utilizados para ocultar o dinheiro de origem ilícita.
As apurações conduzidas pela Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Capital (DRFC-CAP) indicam que a quadrilha atuou em ao menos 20 episódios de roubo de cargas nos últimos seis meses. O faturamento milionário era lavado por meio de 25 empresas de fachada. O esquema contava com cooperação territorial e bélica da facção criminosa no Complexo da Maré, onde os remédios roubados eram armazenados e redistribuídos.
A inserção dos medicamentos roubados no sistema público ocorria por meio de fraudes em licitações na modalidade tomada de preços, com propostas de valores abaixo do mercado. Para obter informações privilegiadas sobre trajetos e cargas, o grupo aliciava funcionários de transportadoras. A atuação também incluía a atuação de “laranjas” e entregadores para operacionalizar o fluxo das mercadorias e ocultar os verdadeiros operadores.
A polícia destaca que a prática gerava graves riscos aos pacientes. Como medicamentos oncológicos e imunossupressores exigem refrigeração rigorosa, a estocagem em locais desadequados podia inutilizar as substâncias ou torná-las nocivas ao organismo. Além disso, o desvio frequente desses suprimentos ameaçava desabastecer hospitais públicos, comprometendo o tratamento contínuo de pessoas com câncer e doenças graves.























