Por Mário Plaka (*)
Eu não estou defendendo Pablo Marçal. Se errou, que responda. Se a Justiça encontrou fundamento para restringir sua campanha, que cumpra a decisão. O que estou questionando é outra coisa: por que o rigor parece tão veloz e tão pesado para alguns, enquanto outros casos se arrastam, são anulados, retornam à primeira instância ou permanecem presos a intermináveis disputas jurídicas?
O caso Marçal é apenas mais um capítulo.
O brasileiro acompanha a história de Lula, suas condenações anuladas, os processos que mudaram de rumo e toda a discussão jurídica que veio depois. E acompanha também as investigações envolvendo seu filho, Lulinha, relacionadas a suspeitas de tráfico de influência, enquanto o debate sobre foro privilegiado e conexão com autoridades que possuem foro mantém as investigações no Supremo.
Ninguém está dizendo que Lula ou Lulinha sejam culpados. A culpa se prova; a acusação se investiga; a inocência se reconhece por decisão competente. Mas também não se pode exigir que o cidadão aceite a palavra “inocentado” quando o que houve, juridicamente, foi a anulação de condenações por questões de competência e outros fundamentos processuais.
É aí que nasce a desconfiança.
Porque, quando um político de direita entra em confronto com determinadas estruturas, cada palavra vira manchete, cada erro vira escândalo e cada movimento passa a ser examinado com lupa. Enquanto isso, casos envolvendo figuras poderosas parecem encontrar uma sucessão interminável de recursos, discussões sobre competência, conexões, decisões e interpretações.
Será que a balança é a mesma? Essa não é uma pergunta contra a esquerda. É uma pergunta a favor da Justiça. Se Marçal errou, puna-se Marçal. Se Flávio errou, puna-se Flávio. Se Zema errou, puna-se Zema. Se Lula errou, puna-se Lula. Se Lulinha tiver cometido algum crime, que responda por ele. Mas a régua precisa ser exatamente a mesma.
Porque uma Justiça que pesa conforme o nome do acusado deixa de transmitir segurança e começa a produzir desconfiança. E essa desconfiança não nasceu ontem. Está presente nas discussões sobre partidos, candidaturas, alianças, Centrão, imprensa, Judiciário e Executivo. Está na percepção de milhões de brasileiros que acompanham o que acontece pelas redes sociais, pelos documentos, pelas decisões e pelas próprias declarações dos protagonistas.
Não é necessário acreditar em uma teoria conspiratória para perceber que existe uma disputa brutal pelo poder. E poder demais, concentrado nas mãos de poucos, sempre exige vigilância.
É por isso que a pergunta deste artigo não é: “Marçal é santo?”. Não é: “Lula é culpado?”. Não é: “Flávio é inocente?”. Essas respostas pertencem aos processos e às provas. A pergunta é muito maior.
Que país é esse que estamos construindo? Um país onde a Justiça precisa ser temida ou respeitada? Um país onde a imprensa fiscaliza o poder ou escolhe quem merece ser fiscalizado? Um país onde a lei é igual para todos ou onde alguns conseguem enfrentar o peso da balança enquanto outros são esmagados por ela?
A Bíblia já advertia há milhares de anos: “Balança enganosa é abominação para o Senhor, mas o peso justo é o seu prazer.” — Provérbios 11:1. Também diz: “Dois pesos são coisa abominável ao Senhor, e balança enganosa não é boa.” — Provérbios 20:23.
Não é preciso ser magistrado para entender isso. Não é preciso ser advogado. Não é preciso ser político.
Qualquer cidadão entende que uma balança só é justa quando os dois lados têm o mesmo peso. Se um lado é colocado na balança com chumbo e o outro com algodão, aquilo não é Justiça. É desequilíbrio.
E talvez seja exatamente por isso que tanta gente esteja olhando para o Brasil e perguntando, em silêncio: Que país é esse?
Eu não tenho a pretensão de dar todas as respostas. Tenho apenas o direito de fazer a pergunta. Porque quem tem medo de perguntar já começou a perder a liberdade.
E, quando o cidadão precisa ter medo de questionar o sistema, então precisamos perguntar: Quem está realmente acima de quem?
O sistema pode ser bruto.
Mas a Justiça não pode ter dois pesos e duas medidas.
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