Por Mário Plaka (*)
Começou novamente o espetáculo eleitoral. Durante aproximadamente 45 dias, eles estarão por toda parte: abraçando crianças, apertando mãos, entrando em comércios, visitando bairros, subindo em palanques e prometendo que agora será diferente. É a temporada dos slogans. Frases curtas, bonitas, feitas para mexer com a emoção do eleitor. Mas existe uma pergunta que não pode ser esquecida: o que existe por trás da frase do título deste artigo?
Lula apresenta, nesta campanha, o slogan “O Brasil pronto pra mais”.
Mais o quê?… Mais espera pelo INSS? Mais gente enfrentando filas por atendimento médico? Mais pessoas recorrendo à Justiça para conseguir medicamentos? Mais dificuldades para quem trabalha e empreende? Mais impostos, mais insegurança, mais escândalos? O eleitor tem o direito de perguntar. Porque slogan não pode substituir a realidade.
E isso vale para todos. “A voz do povo.” Voz do povo quando? “O povo pode confiar.” Confiar em quem? “Trabalho e compromisso.” Trabalho para quem? Compromisso com quem? “Renovação de verdade.” Onde está a renovação? “Mudança de verdade.” Mudança para quem? “Juntos podemos mais.” Mais o quê? E juntos com quem?
O problema não está em fazer campanha nem em criar uma frase forte. O problema aparece quando a propaganda tenta ocupar o lugar da verdade. E a política brasileira tem produzido situações que deixam o eleitor desconfiado. Pessoas que ontem faziam duras críticas a Lula, algumas chegando a chamá-lo de criminoso ou ladrão, hoje aparecem próximas do mesmo grupo político ou negociando com ele. O eleitor ouviu. O eleitor viu. O eleitor não é surdo nem perdeu a memória.
Veja o caso de Gilberto Kassab. Presidente do PSD e candidato a vice de Ronaldo Caiado, Kassab declarou que o Centrão está com Lula. Ao mesmo tempo, Caiado se apresenta como oposição ao presidente. E então nasce uma pergunta que não foi criada por adversários, mas pelo próprio cenário político: como explicar isso ao eleitor? Se o vice de uma chapa diz que o Centrão está com Lula, que tipo de oposição é essa? É uma pergunta legítima. O eleitor merece uma resposta clara, não uma nova propaganda.
Porque é justamente aí que o velho jogo político aparece: durante a campanha, discursos fortes; depois da eleição, alianças convenientes. Hoje, adversários; amanhã, aliados. Hoje, um político é apresentado como o grande problema do país; amanhã, pode estar sentado à mesa com quem o atacava.
Será que alguns políticos realmente acreditam que o povo esquece? Que não ouviu o que foi dito? Que não viu quem atacou quem? Que basta trocar o slogan, colocar uma nova fotografia no santinho e voltar às ruas quatro anos depois?
O eleitor está olhando. E deveria olhar ainda mais para quem está ao lado do candidato. Muitas vezes, não é necessário conhecer apenas o discurso do candidato. É preciso conhecer as suas companhias, os seus aliados, seus apoiadores e aqueles que estarão próximos dele quando a eleição terminar.
“Diga-me com quem andas e talvez eu consiga entender para onde você pretende ir”.
Por isso, quando eles aparecerem novamente, com sorriso no rosto, bandeira na mão, santinho no bolso e promessa na ponta da língua, talvez o eleitor deva lembrar daquela velha frase: “Olha ele aí de novo!”
Só que, desta vez, é preciso olhar diferente. Não apenas para o rosto. Não apenas para o slogan. É preciso olhar para a história, para as alianças, para as atitudes e para a coerência entre o que foi dito ontem e o que está sendo feito hoje.
Porque o Brasil pode até estar “pronto para mais”. Mas o eleitor tem o direito de perguntar: mais o quê?
O povo pode até estar em primeiro lugar no slogan. Mas precisa estar em primeiro lugar nas decisões.
Pode haver promessa de mudança, renovação, trabalho, compromisso e confiança. Mas o eleitor precisa perguntar: mudança para quem, trabalho para quem, compromisso com quem e confiança em quem?
A campanha dura algumas semanas. O mandato dura anos. O palanque desmonta, as bandeiras desaparecem, os santinhos vão para o lixo e muitos candidatos somem. Mas a consequência do voto permanece.
Por isso, nesta eleição, não escolha apenas a frase que mais emociona. Conheça quem está pedindo o seu voto.
Olha ele aí de novo. Mas, desta vez, não basta olhar.
É preciso lembrar. É preciso pesquisar. É preciso conferir. É preciso perguntar.
Porque voto não tem preço. Voto tem consequência.























