Por Mário Plaka (*)
Existe uma antiga metáfora, utilizada em diversas tradições filosóficas e psicológicas, que afirma: quanto mais perto da luz, maior é a sua sombra. Talvez essa frase explique muito do que estamos vendo na pré-campanha eleitoral em nossa região.
Muitos pré-candidatos se apresentam como se estivessem disputando uma eleição para associação de bairro, para síndico de condomínio ou até mesmo para vereador. Mas ser deputado estadual ou federal exige algo muito diferente.
Nossa região, sozinha, não possui população suficiente para eleger a maioria dos candidatos que se apresentam. Para alcançar uma cadeira no Legislativo, é necessário conquistar votos além das fronteiras locais. É preciso construir pontes, apresentar propostas e demonstrar preparo para representar interesses que vão muito além de uma única cidade.
O problema é que muitos parecem não ter clareza sobre o destino que pretendem alcançar.
Quanto mais perto da luz, maior é a sua sombra.
A luz representa a visão, o conhecimento e a compreensão da engrenagem pública. Representa saber qual será sua missão no Parlamento, quais bandeiras defenderá e quais problemas pretende enfrentar.
Infelizmente, ao conversar com alguns daqueles que se colocam como pré-candidatos, percebe-se uma preocupante ausência de conteúdo. Falam de tudo e, ao mesmo tempo, de nada. Não apresentam propostas concretas para segurança pública, saúde, mobilidade urbana, acessibilidade, inclusão social ou desenvolvimento econômico.
Existe uma diferença enorme entre administrar uma prefeitura e exercer um mandato legislativo.
Uma prefeitura executa.
Um Parlamento legisla, fiscaliza, debate, articula e influencia políticas públicas.
São funções diferentes, que exigem competências diferentes.
Nem todo bom prefeito será um bom deputado.
Nem todo bom gestor será um bom legislador.
A própria Bíblia ensina que há vasos para diferentes propósitos. Vasos maiores e menores. Vasos para honra e vasos para serviços distintos. Cada função exige preparação adequada.
O Congresso Nacional e as assembleias legislativas são ambientes complexos. Muitas vezes, poucos exercem grande influência, enquanto muitos passam anos sem deixar qualquer legado relevante.
Por isso, a pergunta que o eleitor precisa fazer não é apenas quem é o candidato.
As perguntas são: ele sabe por que quer chegar lá? Ele conhece os problemas que pretende enfrentar? Tem preparo para fiscalizar bilhões de reais em recursos públicos? Entende das áreas que pretende defender?
Outra questão importante está nas companhias que cercam cada liderança.
Existe um velho ensinamento que continua atual: “Diga-me com quem andas e eu te direi quem és”.
As pessoas que cercam um candidato revelam muito sobre sua capacidade de liderança. Se ele se cerca de pessoas despreparadas, sem conhecimento e sem compromisso com o interesse público, é legítimo questionar como pretende administrar responsabilidades ainda maiores.
Quem deseja crescer precisa aproximar-se de pessoas que possuam conhecimento, experiência e sabedoria.
Porque quanto mais perto da luz, maior será sua sombra.
E quanto maior a responsabilidade, maior deve ser a preparação.
O eleitor precisa observar menos os discursos e mais a capacidade; menos as promessas e mais o preparo; menos a propaganda e mais o conteúdo.
O futuro da nossa representação política depende disso.























