Por Mário Plaka (*)
O que estamos vendo em parte do futebol sul-americano já passou da conta.
Jogador cai no gramado como se tivesse quebrado a perna, deslocado o pescoço, arrancado a clavícula. Faz teatro, provoca cartão, provoca expulsão, paralisa a partida. E, depois da decisão do árbitro, levanta-se sorrindo. Isso não é futebol. É malandragem premiada.
E não adianta colocar toda a culpa no jogador. Existe árbitro. Existe Var. Existem câmeras. Existe tecnologia. Então eu pergunto: quem fiscaliza quem deveria fiscalizar?
Um clube grande, com milhões de torcedores, talvez precise um dia tomar uma atitude que faça o mundo olhar para dentro do campo: Cruzeiro, Atlético, Flamengo, Corinthians, Palmeiras, ou qualquer gigante.
Imagine um time inteiro deixando o gramado diante de uma decisão que considere uma aberração e dizendo: “Assim não jogamos. Não voltamos.” Vai haver punição? Provavelmente.
Mas talvez também exista uma coisa que hoje parece estar faltando: coragem para enfrentar um sistema que se acostumou com o absurdo.
E aí entra a imprensa. Não a imprensa de torcida. Não o comentarista que veste o uniforme do seu clube por baixo da camisa. Não o profissional que escolhe o lado conforme a conveniência.
Imprensa séria tem obrigação de incomodar. Tem que questionar jogador malandro, árbitro incompetente, Var omisso, dirigente covarde e federação conivente.
Porque passar pano para a malandragem do futebol é a mesma lógica de passar pano para a malandragem da política. Errou, mas é do meu lado. Mentiu, mas é dos meus. Trapaceou, mas eu gostei do resultado.
É assim que uma sociedade perde o senso de certo e errado. Hoje é uma queda ensaiada no gramado. Amanhã é uma mentira no palanque. Depois é um abuso de autoridade. E sempre aparece alguém para justificar.
O problema do Brasil não é apenas quem faz a coisa errada. É também quem vê, sabe que está errado e decide aplaudir.
No futebol ou na política, quando a malandragem vira método, a imprensa vira torcida e a verdade já entrou em campo perdendo de goleada.
E pior: quando aqueles que deveriam garantir a justiça dentro das quatro linhas — árbitro, Var e bandeirinhas — passam a agir como se fossem maiores que os jogadores, maiores que os clubes, maiores que a torcida e maiores até que o próprio espetáculo, temos um problema muito maior do que uma simples partida de futebol.
É aí que aparece a sombra do Judiciário brasileiro.
Quando quem deveria fazer cumprir as regras começa a se colocar acima delas, a autoridade deixa de ser instrumento da Justiça e passa a ser parte do problema.
É hora de acordar.
Voto não tem preço. Voto tem consequência.
(*) O articulista e analista político Mário Plaka é sócio-fundador da Associação Brasileira de Jornalistas Independentes e Afiliados (Ajoia Brasil)























