Por Mário Plaka (*)
Gabinete de crise é temporário. Prevenção não é. A defesa civil, obras, saúde, assistência social, meio ambiente, trânsito e os demais setores estratégicos do município precisam funcionar permanentemente com planejamento, fiscalização, protocolos, contatos e responsabilidades claramente definidos. O gabinete deve ser a engrenagem extraordinária acionada diante de uma emergência — não uma improvisação criada quando a cidade já está debaixo d’água, sem energia, com ruas interditadas, árvores sobre veículos ou serviços essenciais paralisados. Crise não combina com improviso. E tragédia não pode ser o primeiro momento em que o poder público resolve conversar.
Falo com conhecimento de causa. Já participei, como voluntário, de ações emergenciais em que prefeito, vereadores e outras autoridades, inclusive representantes de instituições de justiça, acabavam batendo cabeça enquanto a população esperava resposta. Também trabalhei em secretaria de obras e acompanhei obras de grande porte. Por isso, sei que muitos problemas não começam no temporal, no deslizamento ou na queda de uma árvore: começam muito antes, na falta de planejamento, fiscalização e manutenção.
Quando uma marquise cai, quando uma árvore atinge um veículo, quando uma cidade fica sem energia ou quando um serviço essencial é interrompido, a pergunta não deveria aparecer somente depois da tragédia: onde estava a prevenção?
Gabinete de crise não é reunião para produzir fotografia, nem desfile de autoridades diante das câmeras. É comando, integração, decisão e resposta. E a sociedade tem o direito de saber quem coordena, o que aconteceu, o que está sendo feito, quais recursos estão sendo utilizados, quais riscos permanecem e qual será o próximo passo.
Município responsável não espera a calamidade para organizar a casa. Prepara-se antes, fiscaliza antes, planeja antes e age antes. Porque, quando a crise chega, o cidadão não precisa de autoridades procurando culpados ou descobrindo procedimentos.
Precisa de uma máquina pública que saiba exatamente o que fazer. Gabinete de crise se ativa na crise. A responsabilidade começa muito antes dela.

























