Por Mário Plaka (*)
Vivemos a era da pressa. A busca pelo corpo perfeito, pelo emagrecimento rápido e pelos resultados imediatos tem levado milhares de pessoas a recorrer a medicamentos de alto impacto sem a devida orientação médica. Mais preocupante ainda é a atuação de quem transforma um medicamento em mercadoria, ignorando os riscos em troca do lucro.
Quando um medicamento é utilizado sem avaliação médica, sem exames, sem acompanhamento nutricional e sem monitoramento clínico, o problema deixa de ser apenas individual. Passa a ser uma questão de saúde pública.
A perda acelerada de peso pode vir acompanhada de perda de massa muscular, desnutrição, alterações metabólicas e complicações que exigem atendimento médico. Também existem riscos conhecidos, como problemas na vesícula biliar, pancreatite e lesão renal em alguns pacientes, especialmente quando ocorrem desidratação e efeitos gastrointestinais intensos.
Outras possíveis preocupações continuam sendo estudadas pela ciência. Por isso, é um erro tratar esses medicamentos como se fossem simples produtos estéticos ou soluções milagrosas.
A pergunta que precisa ser feita é simples: quem assume a responsabilidade quando surgem as complicações?
Quem vendeu o medicamento sem orientação? Quem incentivou o uso irresponsável? Ou será o Sistema Único de Saúde, sustentado pelos impostos de toda a população, que terá de absorver os custos de internações, exames, cirurgias e tratamentos?
A conta quase sempre chega ao mesmo lugar: hospitais públicos lotados, profissionais sobrecarregados e recursos que poderiam estar sendo utilizados para atender a outras necessidades da população.
Não se trata de condenar medicamentos que possuem indicação médica e benefícios comprovados quando usados corretamente. Trata-se de denunciar a banalização de seu uso e a irresponsabilidade daqueles que colocam o lucro acima da vida humana.
O corpo bonito de hoje jamais pode valer uma saúde comprometida amanhã. A verdadeira prevenção começa com informação, responsabilidade e acompanhamento profissional.
Em saúde, não existem milagres. Existem escolhas.
E toda escolha feita sem conhecimento pode cobrar um preço alto no futuro.

























