Por Mário Plaka (*)
O brasileiro paga caro. Paga impostos, taxas, tarifas e convive com uma das maiores cargas tributárias do mundo. E, como se não bastasse, o consumidor ainda precisa enfrentar outra conta: a criatividade de quem encontra maneiras de cobrar mais, entregando menos.
Diminui-se o conteúdo da embalagem. Mantém-se um preço parecido. Troca-se o rótulo. Cria-se outra marca. Muda-se a apresentação. E o consumidor? Paga mais e leva menos.
Há produtos essencialmente iguais, do mesmo fabricante ou embalador, apresentados com nomes e embalagens diferentes e colocados nas prateleiras com preços diferentes. Muda o nome. Muda a embalagem. Muda o preço. Mas o produto pode continuar sendo praticamente o mesmo.
Isso não é apenas uma questão comercial. É uma questão de transparência. O peso e a quantidade deveriam estar entre as informações mais visíveis da embalagem. O consumidor não deveria precisar procurar, ampliar ou decifrar uma informação fundamental para saber pelo que está pagando.
E existe uma situação ainda mais grave: pagar por água como se fosse alimento. Em produtos cárneos, especialmente no frango congelado, a presença excessiva de água pode fazer com que o consumidor descubra, somente no descongelamento, que parte do peso pelo qual pagou não corresponde ao alimento que imaginava estar comprando. E a pergunta é simples: quem paga por essa água? O consumidor.
Quando existe fraude, excesso irregular ou informação enganosa, não estamos diante de uma simples esperteza comercial. Estamos diante de uma lesão ao consumidor. E fraude comprovada precisa gerar responsabilização compatível com a gravidade da conduta. Multa que vira apenas custo operacional não educa ninguém.
Mas onde estão os fiscais? Onde estão os órgãos que deveriam proteger o consumidor? Por que tantas vezes o cidadão precisa denunciar aquilo que deveria ser fiscalizado preventivamente? E essa pergunta nos leva a outra, ainda maior: quem fiscaliza quem fiscaliza?
É fácil culpar o presidente. É fácil culpar o Congresso. É fácil culpar o Judiciário. É fácil culpar os órgãos públicos. Mas existe alguém que quase nunca aparece nessa conta: o eleitor.
Porque ninguém chega ao poder sozinho. Vereador recebe voto. Deputado estadual recebe voto. Deputado federal recebe voto. Senador recebe voto. E cada voto é uma procuração.
Por isso, quando um parlamentar anuncia na imprensa que entrou no Supremo Tribunal Federal contra determinada medida, a sociedade precisa acompanhar não apenas a manchete da entrada, mas também o desfecho. Entrou com a ação? Mostre. Retirou? Explique. Perdeu? Informe. Foi julgada improcedente? Diga. A manchete da entrada deveria ter o mesmo tamanho da notícia da saída.
O que não pode existir é política de espetáculo: muito barulho para anunciar e silêncio para explicar o resultado. Isso não é transparência. É propaganda política. E o cidadão precisa aprender a identificar essa prática.
Isso vale para quem ocupa o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Cada Poder tem sua responsabilidade. Cada agente público deve responder pelos seus atos. Mas existe uma verdade que não pode ser escondida: quem escolhe os representantes é o eleitor.
Por isso, antes de votar, não vote apenas em quem fala bonito. Pergunte quem fiscalizou, quem trabalhou, quem cumpriu, quem defendeu o cidadão, quem apresentou resultados e, principalmente, quem honrou o voto que recebeu.
Porque o voto não é favor. Não é moeda. Não é cabresto. Voto é responsabilidade.
O Brasil não muda apenas trocando um presidente. Também não muda apenas trocando governador, deputado, senador, vereador ou ministro. Muda quando o cidadão entende que democracia não termina na urna. Ela começa nela.
O eleitor entrega uma procuração quando vota. Depois, precisa fiscalizar quem recebeu essa procuração. E, se o representante não cumprir o mandato, existe uma resposta democrática: não renovar a procuração.
Uma escolha errada no supermercado pode custar alguns reais. Uma escolha errada na urna pode custar quatro anos. Pode custar bilhões. Pode custar direitos. Pode custar liberdade. Pode custar o futuro de uma nação.
Por isso, antes de reclamar de quem governa, lembre-se de quem escolheu. Antes de reclamar do Congresso, lembre-se de quem mandou os parlamentares para Brasília. Antes de reclamar da política, lembre-se de que a política também é resultado das nossas escolhas. O poder não nasce em Brasília. O poder começa na urna.
E é por isso que uma frase precisa deixar de ser apenas slogan e virar consciência:
“Voto não tem preço. Voto tem consequência!”























